Poucos equipamentos estão tão presentes na rotina de um condomínio quanto os elevadores. Em edifícios residenciais, eles podem realizar centenas de viagens diariamente. Por isso, sinais como ruídos, trancos, portas que demoram a fechar ou paradas inesperadas não devem ser tratados apenas como inconvenientes.

A manutenção preventiva de elevadores é fundamental para identificar problemas antes que eles se transformem em falhas mais graves, contribuindo para a segurança dos usuários e para a conservação do equipamento.

O que diz a norma sobre manutenção de elevadores?

A ABNT NBR 16083 estabelece orientações relacionadas à manutenção de elevadores, incluindo verificações sistemáticas, ajustes, limpeza, lubrificação e procedimentos voltados à operação segura do equipamento.

A norma também atribui ao proprietário da instalação a responsabilidade de mantê-la em condições seguras e de contratar uma empresa de manutenção que atenda às exigências técnicas.

Para o síndico, isso significa que a manutenção de elevadores não deve ser realizada somente quando ocorre uma quebra. O contrato com a empresa responsável precisa estabelecer uma rotina de inspeções, atendimento a chamados e manutenção preventiva, além de prever procedimentos para situações emergenciais.

Manutenção preventiva exige acompanhamento

Os elevadores reúnem sistemas mecânicos, elétricos e eletrônicos que sofrem desgaste ao longo do tempo. Componentes como portas, cabos, freios, sensores, comandos, polias e sistemas de segurança precisam ser avaliados de acordo com as características e condições de cada equipamento.

Outro ponto importante é a escolha da empresa contratada. O condomínio deve verificar se a prestadora está regularmente habilitada e se existe profissional legalmente responsável pelo serviço.

Dependendo da atividade e da jurisdição, também devem ser observadas as exigências relacionadas à Anotação de Responsabilidade Técnica (ART). O Crea-SP inclui a manutenção de elevadores entre as atividades técnicas acompanhadas por profissionais habilitados e destaca a importância da documentação que comprova a responsabilidade pelo serviço.

Documentação também protege o síndico

Manter os registros em dia é parte importante da gestão. Ordens de serviço, relatórios de inspeção, registros de peças substituídas, chamados emergenciais e documentos de responsabilidade técnica ajudam a demonstrar que o condomínio mantém uma rotina de prevenção e acompanhamento.

Em caso de acidente ou questionamento sobre a conservação do equipamento, esses documentos podem ser relevantes para esclarecer quais medidas foram adotadas e quem era o responsável técnico pelo serviço.

A responsabilidade do síndico, entretanto, não significa que ele precise executar ou supervisionar tecnicamente a manutenção dos elevadores. Seu papel está relacionado à gestão do condomínio, à contratação de prestadores habilitados, ao acompanhamento das obrigações previstas em contrato e à adoção das providências necessárias diante de problemas identificados.

Fiscalização reforça a importância da prevenção

A atuação dos conselhos profissionais demonstra que a manutenção de elevadores também é uma questão de segurança e responsabilidade técnica.

Em 2024, o Crea-RS incluiu a manutenção preventiva e corretiva de elevadores em operações de fiscalização de condomínios verticais. No Rio de Janeiro, o Crea-RJ lançou, em 2025, uma cartilha específica para orientar síndicos sobre boas práticas de manutenção, inspeção e modernização desses equipamentos.

Para o condomínio, a principal recomendação é simples: transformar a manutenção dos elevadores em uma atividade planejada e contínua, e não apenas em uma medida emergencial.

Prevenir falhas, manter a documentação organizada e contar com profissionais habilitados são medidas que contribuem para uma gestão mais segura e responsável.