Dados da prefeitura da maior cidade do país em termos populacionais refletem uma realidade por todo o país. Com boa parte das construções erguidas antes da década de 1970, síndicos e administradoras devem garantir cuidados que evitam custos extras e riscos aos moradores
Enquanto a construção civil brasileira avança em inovação, o legado de entregas prediais antes de 1970 exige atenção de moradores, síndicos e administradoras. Só em São Paulo (SP), a maior cidade do país em termos populacionais, metade dos prédios datam de antes de 1974, segundo dados da prefeitura, levantados ainda em 2018. O número evidencia um retrato de muitos outros municípios brasileiros e reforça a necessidade de fortalecer a cultura da manutenção preventiva no Brasil.
Neste âmbito, de acordo com a Câmara de Inspeção Predial do Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia de São Paulo (Ibape/SP), 66% dos acidentes em edificações ocorrem por ausência ou falha na manutenção preventiva. A prática, muitas vezes negligenciada em condomínios mais antigos, é prevista em normas técnicas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e está diretamente relacionada à segurança dos moradores, à preservação da edificação e à redução de custos com reparos emergenciais.
“Com o envelhecimento natural das construções, sistemas elétricos, hidráulicos, fachadas, coberturas e componentes estruturais passam por processos contínuos de desgaste. A ausência de acompanhamento técnico e de planos de manutenção pode resultar em falhas inesperadas, acidentes, interdições e até responsabilização legal da administração condominial. Edificações mais antigas exigem mais controle, pelo tempo de uso acumulado dos sistemas”, afirma Jean Ferrari, engenheiro civil e CEO de uma empresa especializada em soluções para gestão do pós-obra.
Segundo o executivo, o síndico tem papel fundamental nesse processo. “Quando não há planejamento e registro das manutenções, o condomínio se expõe a riscos operacionais e jurídicos”, destaca.
Existem soluções voltadas para síndicos e administradoras. Como um aplicativo que tem funcionalidades que permitem aplicar planos de manutenção preventiva conforme indicações da ABNT, garantindo alertas de serviços, histórico de ações realizadas e um dashboard que mostra para o responsável e até mesmo o morador tudo o que tem sido feito no empreendimento.
Para Jean Ferrari, a adoção de processos estruturados e ferramentas de apoio é um passo essencial para reduzir riscos em prédios antigos. “Manutenção preventiva não é sobre tecnologia, é sobre responsabilidade.




