A segurança elétrica nos condomínios brasileiros tem sido colocada sob foco cada vez mais intenso por causa de um problema sistêmico: a presença de cabos e fios irregulares.

De acordo com dados do Sindicel (Sindicato da Indústria de Condutores Elétricos), aproximadamente 40% dos incêndios urbanos no país se devem a condutores fora das especificações técnicas. Essa estatística acende um alerta para síndicos, administradoras e gestores prediais, que precisam adotar medidas preventivas para evitar tragédias e prejuízos.

Segundo o presidente do Sindicel, Carlos Alberto Cordeiro, a escolha de materiais certificados e com qualidade comprovada é fundamental para reduzir os riscos. Fios e cabos defeituosos podem superaquecer, gerar curtos-circuitos e provocar incêndios, colocando em risco vidas e patrimônio. Além disso, instalações mal feitas tendem a desperdiçar energia, elevando os custos de eletricidade tanto para os moradores quanto para o condomínio como um todo.

Além das inspeções, o sindicato também desenvolve parcerias com empresas para orientar síndicos e gestores na escolha de fornecedores confiáveis. A ideia é evitar que sejam instalados condutores de má qualidade em áreas comuns ou unidades residenciais, uma prática que pode se transformar em desastre se não for controlada.

Especialistas ressaltam que não basta apenas instalar fios “mais baratos”, é necessário que o condomínio adote uma postura proativa de gestão elétrica. Avaliar projetos, exigir laudos técnicos e assegurar que toda a estrutura elétrica siga normas e padrões são passos indispensáveis para proteger o edifício e seus moradores.

O Inmetro, já firmou ações conjuntas com o Sindicel para fiscalizar produtos no mercado, medindo a resistência elétrica dos condutores, reforçando a importância de uma cultura de qualidade na fabricação e utilização dos cabos.

O uso de cabos “desbitolados”, fabricados com menos cobre do que o especificado nas normas, é apontado como uma das principais causas de superaquecimento e risco de incêndio. Esses materiais, muitas vezes produzidos por empresas que buscam reduzir custos, não têm a mesma capacidade de condução de corrente elétrica, o que aumenta a probabilidade de falhas graves.

Para os síndicos, a mensagem é clara: ignorar a qualidade dos fios e cabos pode sair muito caro. A prevenção passa pela fiscalização constante, parceria com entidades técnicas e pela exigência de certificação dos materiais utilizados nas instalações elétricas. É uma responsabilidade que vai além do cumprimento de normas: é uma questão de segurança real.