A tecnologia tem transformado rapidamente a vida em condomínios, especialmente com a chegada das portarias virtuais, sensores inteligentes, câmeras de reconhecimento facial e aplicativos de controle de acesso.
A automação predial promete eficiência e redução de custos, porém levanta questões jurídicas importantes sobre responsabilidade, privacidade e limites do síndico humano.
Segundo a Dra. Juliana Teles, advogada especialista em direito condominial,
“A inteligência artificial e os sistemas automatizados são excelentes ferramentas de apoio, mas não substituem o papel do síndico. A gestão humana continua essencial para decisões estratégicas, mediação de conflitos e cumprimento das obrigações legais do condomínio.”
Principais riscos jurídicos da automação:
Sistemas podem apresentar erros, deixando áreas vulneráveis a invasões ou acidentes.
Câmeras, sensores e aplicativos coletam dados sensíveis de moradores, funcionários e visitantes. É obrigatório ter uma política clara de armazenamento, acesso e descarte de dados.
Se um acidente ou prejuízo ocorrer devido à falha de um sistema automatizado, o síndico continua legalmente responsável por não ter supervisionado ou adotado medidas preventivas.
A automação não pode substituir completamente decisões que exigem interação humana e empatia, como mediação de conflitos ou orientação sobre regras de convivência.
Como integrar a IA de forma segura
A Dra. Juliana dá algumas recomendações para síndicos:
Escolha sistemas confiáveis e com suporte técnico garantido.
Síndicos e funcionários devem estar preparados para agir quando a tecnologia falhar.
Informe como dados são coletados, armazenados e usados, garantindo conformidade com a LGPD.
Sempre manter o síndico ou equipe apta a intervir em situações críticas ou emergenciais.
“A tecnologia deve ser vista como parceira da gestão condominial, e não substituta. Um condomínio moderno precisa de inovação, mas também de síndico responsável, atento às obrigações legais e à convivência pacífica entre moradores”, conclui a Dra. Juliana Teles.
O futuro dos condomínios será cada vez mais digital, mas a inteligência artificial deve ser sempre complementada pela inteligência humana, garantindo eficiência, segurança e respeito aos direitos dos moradores.




