Por André Resende
Publicado em 02/11/2024
As fraudes e os desvios de recursos das contas dos condomínios podem ser mais comuns do que parece. Em alguns casos, condomínios mal administrados não refletem necessariamente a incapacidade do gestor, podem também ser consequência de um síndico que se aproveita da condição para extrair benefícios indevidos, usando em benefício próprio os recursos do condomínio.
O auditor Elias Oliveira comenta que um condomínio que não adota práticas de governança e controle de gastos, que não estabelece um regime de compliance, transparência nos gastos, fornece uma condição favorável para as fraudes e os desvios de recursos. A primeira recomendação nesse sentido é a realização de auditorias preventivas.
“Casos de fraudes em condomínio geralmente acontecem em contexto em que há falta de auditoria, controles internos, um conselho fiscal não atuante e com baixa participação dos moradores e falta de transparência nas contas, tornando-os mais vulneráveis. Por isso, a realização de auditorias periódicas e a transparência na gestão financeira são essenciais para garantir que os recursos do condomínio estejam sendo usados corretamente, evitando eventuais desvios de recursos”, acrescenta.
Ainda conforme o auditor fiscal, é possível perceber alguns sinais na gestão que podem indicar suspeitas de fraude. Ele explica que gestões mal intencionadas geralmente dificultam o acesso a documentos e valores movimentados com os recursos do condomínio.
“Inconsistências nos dados geralmente indicam tentativas de ocultar informações e dificultar o acesso a balancetes e orçamentos. Práticas como pagamentos fictícios, contratos superfaturados com empresas ligadas à gestão, manipulação parcial de contas, uso recorrente dos mesmos fornecedores sem revisão e a movimentação de recursos em contas pessoais ou contas pool sem controle adequado são comuns”, detalha Elias.
Por isso, para evitar esse tipo de irregularidade, é essencial que o condomínio faça auditorias frequentemente, com um regime de transparência ativa, com um conselho fiscal atuante na gestão dos síndicos, além de uma comunicação ativa e objetiva com os demais condôminos em relação aos gastos e recursos do condomínio.
“Para verificar possíveis irregularidades nas contas do condomínio, moradores e o conselho devem adotar medidas práticas como revisar mensalmente os balancetes, solicitar notas fiscais e recibos que comprovem os pagamentos e observar se há padrões repetitivos de gastos sem justificativa. Também é recomendável contratar auditorias independentes, monitorar as contas bancárias e participar ativamente das assembleias, questionando discrepâncias. Essas ações aumentam a transparência e ajudam a identificar desvios nas finanças do condomínio”, explica.
*Jornalista e colaborador do Jornal do Síndico




