A rotina dos condomínios brasileiros revela um paradoxo cada vez mais comum: decisões que impactam diretamente o patrimônio do condomínio, a convivência entre moradores e as finanças coletivas são tomadas em ambientes legalmente instituídos, mas frequentemente diante de assembleias esvaziadas.
A baixa participação em assembleias condominiais deixou de ser um problema pontual e passou a representar um desafio estrutural da gestão condominial, afetando a legitimidade das decisões, a qualidade das normas internas e a atualização da convenção de condomínio e do regimento interno.
A assembleia geral de condomínio é reconhecida pelo ordenamento jurídico como o principal órgão deliberativo. É nesse espaço que se discutem e aprovam:
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Orçamento e despesas
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Obras e manutenções
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Eleição de síndico e conselho
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Alterações no regimento interno
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Mudanças na convenção condominial
Mesmo assim, muitos condôminos deixam de comparecer por falta de interesse, agenda cheia ou pela percepção equivocada de que sua presença não altera o resultado. Na prática, ocorre justamente o contrário: decisões adiadas, reuniões repetidas, aumento de custos administrativos e maior potencial de conflitos.
Valorização de quem participa
Para o advogado especialista em direito condominial Kênio Pereira, é necessário inverter essa lógica:
“Tomar decisões em assembleia geral se torna difícil quando os presentes ficam impedidos de deliberar por causa do grande número de ausentes. O correto é valorizar quem comparece.”
Segundo ele, adiar deliberações relevantes à espera de maior quórum acaba premiando o desinteresse, tornando as assembleias improdutivas e desgastando os moradores atuantes, além de gerar despesas extras ao condomínio.
Kênio reforça que o Código Civil, a Lei nº 4.591/1964 e a própria convenção estabelecem os quóruns legais para cada tipo de deliberação. Uma vez atingidos, as decisões aprovadas são válidas e obrigatórias para todos, inclusive para quem não participou.
Ainda assim, é comum que condôminos ausentes questionem medidas regularmente aprovadas. “Muitas vezes, quem não comparece às assembleias é justamente quem mais critica a administração”, observa.
Participação é responsabilidade patrimonial
Em condomínios cada vez mais complexos, a presença em assembleias deixa de ser mera opção e passa a ser um ato de responsabilidade patrimonial. Participar, votar ou nomear um procurador significa contribuir para regras mais claras, decisões mais seguras e uma convivência mais harmoniosa.
No ambiente condominial, a ausência também produz efeitos. E, muitas vezes, o silêncio acaba decidindo — quase sempre, contra quem escolheu não participar.




