O modelo de moradia em condomínios no Brasil segue em expansão e se consolida como a principal escolha habitacional de milhões de famílias. No entanto, os dados mais recentes do Censo Condominial 2025/26 revelam um cenário preocupante para síndicos, administradoras e moradores: aumento expressivo da taxa condominial, crescimento da inadimplência e maior pressão sobre a gestão financeira.
Atualmente, o país possui mais de 327 mil condomínios e aproximadamente 39 milhões de moradores, distribuídos em todas as regiões. Segundo o levantamento, a taxa condominial média nacional subiu de R$ 413 no primeiro semestre de 2022 para R$ 516 no mesmo período de 2025, o que representa um aumento real de 24,9% em três anos.
Esse crescimento dos custos de condomínio não está restrito a uma única localidade. Regiões como Sudeste, Sul, Nordeste e Centro-Oeste apresentaram elevações consistentes, impulsionadas principalmente por inflação, reajustes de contratos, aumento de mão de obra, energia elétrica, manutenção predial e serviços essenciais.
Inadimplência em condomínios atinge maior nível da série histórica
Outro indicador alarmante apontado pelo Censo Condominial é o avanço da inadimplência condominial. No primeiro semestre de 2025, 11,95% dos condôminos estavam com taxas em atraso superior a 30 dias, o maior índice já registrado pela pesquisa.
A inadimplência compromete diretamente a saúde financeira do condomínio, dificultando o pagamento de fornecedores, atrasando obras, reduzindo investimentos em manutenção e pressionando ainda mais o orçamento.
Síndicos enfrentam dificuldades para equilibrar as contas
Na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a síndica Patrícia Leão relata que o cenário nacional reflete a realidade local.
“Nosso condomínio tem dificuldade para fechar as contas no fim do mês, mesmo após ajustes no orçamento e renegociação de contratos. A taxa condominial alta pesa para todos, e muitos moradores sentem que o custo não acompanha os benefícios percebidos”, afirma.
Segundo ela, a gestão fiscal e o controle orçamentário tornaram-se prioridades do mandato. Patrícia também destaca que a participação dos moradores em assembleias e no acompanhamento das finanças é fundamental para fortalecer a governança e construir soluções coletivas.
Gestão condominial mais complexa e profissional
O Censo Condominial 2025/26 mostra que viver em condomínio, embora continue sendo uma opção atrativa, está cada vez mais associado a decisões estratégicas de gestão, planejamento financeiro e comunicação transparente.
Especialistas em administração condominial recomendam:
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Maior transparência na prestação de contas
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Uso de sistemas e aplicativos de gestão condominial
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Capacitação contínua de síndicos
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Incentivo à participação dos condôminos
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Planejamento orçamentário de médio e longo prazo
Sustentabilidade financeira e convivência
Em um ambiente marcado por pressões econômicas, o estudo aponta que a sustentabilidade financeira dos condomínios e a qualidade da convivência dependem, em grande parte, da capacidade de adaptação dos gestores e da colaboração ativa dos moradores nas decisões que impactam a coletividade.




